21/07/2014

De quem é esse sonho?


Dia desses eu estava almoçando com dois colegas de trabalho. A sobremesa era uma das minhas preferidas: mousse de chocolate. Servi tudo o que cabia no potinho e comentei: “vou aproveitar e comer tudo o que eu posso já que, por estes dias, não entra doce na minha casa”.  Um deles, com quem não tenho muita intimidade, me questionou:  “Por que isso?”  Expliquei que se aproxima uma seletiva importante e que, por este motivo, Laura precisa controlar a alimentação pra não estourar o peso. Em seguida, o  que ouvi foi “Tu não estás levando isso a sério demais? Acho que tu te importas muito mais com judô do que ela própria.”  Respondi na hora, dizendo que quem escolheu o judô foi ela. Que quem optou por treinar todos os dias foi ela. Que ela é fominha e participa de todas as competições do Circuito Estadual porque quer. Ele rebateu: “E tu realmente acreditas que ela possa chegar a uma Olimpíada ou a um Campeonato Mundial? Milhares tentam e pouquíssimos conseguem.”   
A resposta é simples: enquanto ela desejar, enquanto tiver isso como ideal, enquanto se tornar uma atleta profissional for o sonho dela, eu vou acreditar.  Se um dia as coisas mudarem, estarei ali: acreditando e apoiando também nas mudanças.

Embora eu  pense desta maneira,  a observação do meu colega é bastante pertinente. Muitos pais, na ânsia  de que os filhos  alcancem o sucesso, acabam exagerando. Criam expectativas quanto ao futuro das crianças, principalmente no que diz respeito aos resultados.
Alguns matriculam cedo seus filhos em escolas esportivas, e cedo os iniciam nas competições.  Eles acostumam-se com vitórias de tal maneira, que realmente acreditam que um atleta de pouco mais de 10 anos  (por vezes até menos) estará em breve brilhando pelo mundo afora. Traçam planos gloriosos para sua “carreira esportiva”.  Porém, nem sempre, é isso o que o filho deseja.
Há casos em que os pais projetam os seus sonhos nos filhos e acabam não dando a eles oportunidade de escolha. Existem esportistas (crianças ou não) que tem como objetivo apenas usufruir dos benefícios trazidos pela prática e que não gostam de competir. Ou, ainda, aqueles que competem, que gostam de vencer, mas que não fazem disso o foco principal de suas vidas.
Embora esteja nesse meio há pouco tempo, já vi jovens judocas considerados “promessas da nova geração”, de repente, mudarem de ideia: sendo campeões de tudo em determinado ano e, no ano seguinte, abandonando completamente o esporte.

Voltando à minha situação: minha filha tem 14 anos. Pratica judô há 4. Hoje, tem objetivos bem definidos:  o sonho dela é treinar muito, cursar Educação Física, integrar a Seleção Brasileira, conquistar muitos títulos internacionais e uma medalha olímpica e, depois disso,  ser “sensei de crianças” . Amanhã, tudo pode mudar.  
O meu sonho é vê-la feliz. Tanto faz se for nos tatames, numa academia, loja, num escritório, consultório ou qualquer outro espaço onde ela  se sinta realizada.



Aos pais em geral, fica uma questão: até que ponto estamos dando oportunidades para nossos filhos destacarem-se naquilo que realmente os interessa?  Para pensar.


UPDATE (23/07): encontrei hoje no Portal EBC, um vídeo de programa com mães de atletas relatando sua rotina, e que se encaixa bem neste texto. Entre estas mães, Regina, mãe do judoca Leandro Guilheiro. Vale conferir: Como é ser mãe de atleta?

6 comentários:

  1. Também penso assim. Que sejam felizes e realizados e tenham oportunidade de escolher. Lindo texto, bom pra refletir. Bjus Carolzita!!!!

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  2. Também concordo! Ontem me perguntaram se sonhávamos em ver nossos filhos numa olimpiada. Respondi que vivemos o momento aproveitando todos os benefícios que o esporte traz principalmente nas crianças pois estimula senso de responsabilidade e respeito. O futuro a Deus pertence e o sonho primordial pelo menos da maioria das mães que conheço é ver seus filhos felizes e realizados!

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    1. Belíssima resposta, Fabi! É isso mesmo! :)

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  3. Maravilha que você pense assim.
    Hoje vi um pai que faz de tudo para que o filho seja jogador profissional de futebol. O filho parecia querer a mesma coisa, mas o percebi no olhar do pai que aquele era o sonho dele, e não necessariamente do filho. Uma mudança de planos do filho geraria uma frustração enorme no pai, e pode ser por isso que o filho insiste. Fiquei pensando nas crianças que passam por essa situação. Que bom que existem pais como você.

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    1. Luilton!
      Obrigado pela visita e pelas palavras!
      Vejo teu carinho e dedicação com tuas meninas e sei que me entendes perfeitamente. ;)

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